terça-feira, 28 de abril de 2009

Amor que fica

Hoje vou render homenagem a uma mulher fantástica. Ela que fingia não gostar de carinhos, mas quando ganhava um beijo sorria sem jeito. Essa mulher foi minha mãe quando a verdadeira estava em outro lugar e me ensinou a fazer biscuit, crochê, bordar – evidentemente não faço isso com aquela habilidade como ela, contudo tento – em muitos aspectos tenho características dela, assim como todos da família possuem uma coisa ou outra, ensinamentos dela. Essa mulher, minha avó, tinha um senso de humor que só vendo, ninguém estranho entrava em sua casa impune, sem sair com um apelido. Dona Terezinha, D. Tetê ou Rita era a matriarca de uma família bem singular. Tinha um jeitão assim meio bravo, porém sabia ser doce a seu modo. Vovó devota da fé e do amor pela família, todos os dias rezava seu terço colorido e pedia por todos: “Vovó, reza por mim tá?” dizia eu, ela me olhava e dizia, “Minha bichinha obedece tua mãe”. Ela fez da sua família sua maior obra de arte, com suas muitas dificuldades, porem sempre com muita fé e perseverança, ao lado de um verdadeiro companheiro que a acompanhou por mais de meio século nessa caminhada, e em todos os momentos, o vovô, um exemplo vivo de herói.
Uma vez recebi um e-mail que dizia que a saudade é o amor que fica, então a vovó deixou um montãozão (igual criança) de amor que fica. Porque seu grande amor ainda esta aqui, seu filhos, netos e bisnetos o sentem. E eu sei que ela esta em algum lugar lá no paraíso com seu tercinho colorido pedindo por todos nos, por todos que ela amava e que a amam.
Bença vó! Tchau vó, amo a senhora...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Muito tempo.

Faz muito tempo que não escrevo nada. Pra ser sincera não tenho tantas idéias, esvaziou a minha cota de grandes pensamentos, comentários. Como se eu tivesse tido grandes dessas idéias, até porque ninguém lê o que escrevo, ou se lê, não da mínima importância.
Como estou me sentindo agora? Como se estivesse escorrendo pelas minhas mão, por entre os dedos como água de Mar. E pior como se quisesse deixar-se escorrer, e me vejo sem vontade de começar tudo outra vez. Perseguindo borboletas, multicores. Caçando ilusões. Imaginando futuros paralelos e alternativos. Em meio a opiniões tão cheias de si e outras nem tanto assim. Onde estão meus amigos? Fui perdendo um a um. Onde estão meus amores? Eu deixei de ser interessante a eles, existe abundancia demais de beleza, e eu não sou tão bela assim. Onde foi para meu entusiasmo?! Perdi em algum lugar, de algum dos bares...
I’m feel so loser.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ferrugens

As ferrugens saem das minhas juntas como uma poerinha laranja, e fica pairando pelo ar em minúsculas partículas de tempo, esquecimento, escassez. Estico meus dedos na tentativa de que eles voltem à velha forma de antes, no auge, no calor da coisa. No estado imóvel, onde a inércia age e reage, ao sabor do tempo – sol e chuva – que corrói, a química que destrói o corpo, ou ele que sucumbe a todo resto. Como espasmos de consciência, que pedem sempre o acompanhamento de outras consciências concordantes com objetivos absurdos, ou inconsistências de opiniões, ou achismos. Todos os dias as portas se abrem, janelas se fecham, pessoas desconjuntadas acotovelam-se para alimentar seus filhos, a si mesmas. Todos os dias pelas frestas das portas saem às borboletas invisíveis, as baratas voadoras, que durante o sono perturbaram o sonhar.

Num dia frio que faz meus dedos ficarem roxos, o frio sempre remete a desolação, a estagnação, cotidiano. A dor também faz parte, no corpo, a dor da alma vai sempre existir, os poetas que o digam, tantos a cultivam como plantinhas no fundo do quintal, as acham até bonitinhas no final das contas. Ou a doença faz observar a outra face, aquela a qual dá a tapa, e doe, e encontra os joguetes infinitos do destino, mergulha em aflições imaginarias e por fim se perde nas ruas molhadas, mal iluminadas de uma cidade em pleno desenvolvimento.
A.A.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Teatro das sombras

As figuras, que eram sombras no lençol amarelado. Gesticulavam e tinham suas falas, nada era ensaiado, tudo era o improviso. Os diálogos surgiam no calor da situação fomentada por momentos passados e magoas profundas, as personagens agitavam-se, porque a discurção aumentara.
- Você se comporta como uma prostituta barata!!! Porque rasteja aos pés dele??? Ele só vai te usar!!!!!
- Mas eu estou tão feliz!
-Não importa porque é isso que você é, uma puta chula!
E tudo escurece, porque os personagens envolvidos dormem. Um deles pelo menos, o outro chorou até um mar salgado lhe cobrir por completo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Não sou daltônica!

Eu não tenho dimensão de certas coisas. Não sei lidar direito com pressão, me sinto acuada, como um bicho do mato que se perde e cai na cidade. E ouvia os trovões, parecia próximo demais, uma tempestade, alguém comentou que em outro lugar chovia muito. E só caia aquela garoa e lá no fundo vi um arco-íris, daí tive a certeza que tudo ficaria bem e a noite depois de umas lágrimas, o abraço, o alívio e o sono.

A.A.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Balão vermelho

Balão Vermelho_Paul Klee
Eu Não Peço Desculpa


Composição: Jorge Mautiner


Eu não peço desculpa

E nem peço perdão

Não,não é minha culpa

Essa minha obsessão

Já não agüento mais

Ver o meu coração

Como um vermelho balão

Rolando e sangrando,

Chutado pelo chão


Psicótico,

Neurótico,

Todo errado...

Só porque eu quero alguém

Que fique vinte e quatro horas do meu lado

No meu coração, eternamente colado...

No meu coração, eternamente colado... *


*Ele me disse que essa muzga foi feita pra mim, e fiquei me perguntando o por quê?


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Andanças

Quando saia do cinema, me senti como se estivesse numa outra cidade, num outro país, onde ninguém soubesse que língua eu falava, e nem estavam interessados em saber qual era. Caminhei bastante porque precisava, e ninguém me notou ou notaram as lágrimas que rolavam e rebolavam pelo meu rosto. Caminhei, olhava para o céu nublado meio marrom, os carros passavam depressa e agitava o ar, e eu com o rosto queimando de tanto chorar, até podia ouvir as batidas do meu coração que acompanhava cada passada minha. Como um barulho surdo de um bumbo, segundo após segundo, e quando eu parava ficava mais alto e mais forte. Poderia andar até chegar em casa, mas meu joelho começou a reclamar, santa invisibilidade, minha casa é a rua e meu pai é a Lua escondida entre as nuvens. Solidão foi hoje minha companheira.
Preciso agradecer a um anjo de nome Fabiana, que com seu jaleco branco me deu um abraço tão fraternal que poderia dormir o sono dos bravos. Acordar forte. Mas me falta bravura e somente gostaria muito de dormir e acordar amanhã...