terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Palhaço Pirilampo Pipoca


Ele vem de longe
Canta e sorri suas histórias,
Mas no rosto pintado de branco
Uma lagrima azul
Da cor do mar
Profundo, fundo como a verdade já dita.

Ele caminha trovando,
Provando o que a vida tem
Com o chapéu roído pelas traças.
Os cabelos desbotados pelo vento
E toca o velho e puído violão
Carregado de musicar...

Toca o coração sem saber.
Vai além do que é palhaço.
Faz sorrir, mas também faz chorar.
Embola o sentir num só
Leva pra longe como ele
O que há de ter, amar...
O bom palhaço a sua platéia.
A.A.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Azul

Chagall _ A casa azul

Uma inquietação constante entre o ter, fazer e cria, não há ordem formal porque isso não tem ordem, é como uma obrigação acordar todas as manhãs e ser produtivo de algum modo. Como se as engrenagens das nossas idéias estivessem motivadas somente a isso, a criação. E tão difícil é que em muitos momentos torna-se um processo que não compreende etapas pré-definidas, mas sim uma enxurrada de pensamentos, um peso, um volume esmagador no cérebro. Assim tudo muito rápido, os olhos fecham e quando se abrem, está lá, pronto à espera que sua forma seja dada, persistindo até o fim dos seus dias, martelando como uma dorzinha de cabeça que se diz que é chata, mas sabe-se muito bem o que é: o projeto permanente e metamorfósico de uma vida.
Entrei em um processo complicado de criação, ele exige de mim um tempo considerável – 24 horas por dia – e ainda nem sequer está na metade, porque na verdade esse Frankenstein que estou criando é um somatório de percepções e motivações. Não quero afirmar que o material em si fala sobre uma introspecção, não sou filosofa, porém acredito que talvez seja um reflexo do que eu gostaria muito de ser, ou um fruto de uma época. No tocante a produção continua sendo um processo solitário e convenci-me de que seja preciso ser assim, tentando organizar histórias acrescentar pontos.
Quando comecei parecia mais uma brincadeira e depois me dei conta de que isso toma conta da sua mente e corpo, e que quando é deixado de lado transforma-se num inimigo a espreita, uma analogia nada romântica para descrever o abandono de uma inspiração. Por isso peguei em velhos arquivos, soprei a poeira de palavras que havia escrito há muitos anos, páginas e mais páginas de história e a velha disposição voltou, reviveu. O que mais posso esperar dessa cabeça oca que tenho? O que será reservado as paginas e mais paginas a serem escritas? Um dia o material vai ficar pronto, espero que esse gás todo perdure por uns bons meses e que pelo menos avance rumo ao fim, e faltando só umas frases eu queira descansar, ou termine de uma vez, mas não garanto que vá sair da “gaveta” da memória do meu computador, porque só em concluí-lo já vai me fazer muito feliz.
A.A.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Devaneios...

Qual é o meu trilho? Às vezes perco-me em devaneios, queria ser tanta coisa e sinto que a vida é tão pequena que não cabe nada. Nada cabe em mim e não caibo em nada, porque sempre um mesmo desespero toma conta de mim meu velho amigo de antes vem a deixar-me aturdida pelos caminhos que escolho seguir. Alguém me disse que a vida é assim mesmo cheia de seus labirintos intermináveis e outras coisas, completos de um monte de verdades e erros inevitáveis. Então sonho acordada com coisas que não sei se vão acontecer e meu castelo em construção e não sei quando vou enxergá-lo, não sei quando vai terminar como vai ficar. O quê me falta? Um pedaço de coração, meu Coração, ele já dá uma parte de mim. Minhas mãos assim livres ainda não sabem meu caminho...

A.A.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Frio

Caminhei como sempre faço , assim como todos os dias, chovia um pouquinho e inevitavelmente apesar do tênis que usava meus pés molharam e essa sensação de frio constante somou-se com meus pensamentos. Penso em coisas e o pé dói, reflito e os dedos ficam roxos. Roubam o meu sono nas viagens de ônibus. Os fios de reflexão e os pés gelados...
Mas por outro lado como poderia obdicar disso, a chuva me proporcionou uma motivação frenética de nunca parar. Esquentar meu corpo, agitar minhas células, hoje eu poderia caminhar quilômetros e não cansaria hoje eu poderia dar a volta ao mundo a pé e não me incomodaria com nada, nem com a dor.

A.A.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Mulher chorando.

Pablo Picasso_Mulher Chorando

Não sou um problema.

Sou um Monstro.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Marias

Não sou fundamentada no feminismo, mas rendo minhas palavras a essa parte da população a qual me incluo. E falando delas...
Nos tempos da minha avó – primeira Maria – as mulheres eram ensinadas a serem boas esposas, mães e excelente donas-de-casa. Suas prioridades eram: o almoço dos filhos e marido, as roupas no varal que secavam e o que as crianças iriam vestir na missa de domingo por exemplo. A geração da minha mãe – a segunda Maria – queria casar, mas também começava a formular uma idéia de ser uma profissional, porém precisavam escolher entre família e carreira. Já a minha geração – a terceira Maria – começamos a pensar muito cedo em carreira profissional, até porque nossas mães, as segundas Marias, nos ensinam que isso na vida de uma mulher é muito importante. E elas não falam isso à toa, essas mulheres em sua maioria hoje são chefes de famílias, provem educação e sustento aos seus através de muito trabalho, não querem que suas filhas precisem batalhar tanto para conseguir seu lugar ao sol. Portanto a mulher atual pode escolher o que quer ser “quando crescer”, pode ter o não ter uma família, é dona de sua sexualidade, fala em pé de igualdade com o sexo oposto, ou seja, desfrutamos de uma liberdade conquistada por nossas avós e mães.
No meu cotidiano encontro essas figuras femininas e digamos que cada uma contribui um pouco para uma formação de mulher, a terceira Maria Observando suas experiências, enxergo pessoas corajosas e que apesar dos percalços da vida têm o bom-humor de sorri para o mundo.

A.A.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Cidade


Cidade indecisa, horas faz um sol de lascar, daí nuvens carregadas desabam e fica relativamente frio. Não consigo descansar quando está assim.
A.A.